Adolescência

Bullying: o que os pais precisam saber e fazer

Bullying vai além de apelidos e empurrões — e muitos filhos sofrem em silêncio. Entenda como ele se manifesta hoje, o que ele faz com a saúde mental e como os pais podem agir de forma eficaz.

Aaline.larrissaf@gmail.com
2 de setembro de 2026 5 min de leitura
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Bullying: o que os pais precisam saber e fazer

Muitas crianças e adolescentes que sofrem bullying não contam para os pais. Não porque não queiram — mas porque têm medo de que a situação piore, de que os adultos não entendam, ou de que sejam vistos como fracos por não conseguirem resolver sozinhos.

Essa é uma das razões pelas quais o bullying persiste tanto tempo sem ser identificado. E quanto mais tempo passa sem intervenção, mais profundas são as marcas.

O que é bullying — e o que não é

Conflitos entre crianças e adolescentes são normais. Brigas, desentendimentos, momentos de exclusão episódica fazem parte do convívio social e do desenvolvimento.

Bullying é diferente. Ele se caracteriza por três elementos:

Intencionalidade. O comportamento não é acidental — há uma intenção de causar dano, seja físico, emocional ou social.

Repetição. Não é um episódio isolado, mas um padrão que se repete ao longo do tempo.

Desequilíbrio de poder. A vítima tem dificuldade de se defender — seja por diferença de força física, de status social, de número ou de habilidade verbal.

Quando esses três elementos estão presentes, estamos diante de bullying — e a intervenção de adultos é necessária.

Como o bullying se manifesta hoje

O bullying evoluiu — e não se limita mais ao pátio da escola. Suas formas mais comuns hoje incluem:

Bullying físico. Empurrões, golpes, danos a pertences. Mais visível, mas não necessariamente o mais frequente.

Bullying verbal. Apelidos, humilhações, ameaças, comentários sobre aparência, desempenho ou família. Deixa marcas profundas justamente porque é difícil de "provar".

Bullying relacional. Exclusão deliberada, boatos, manipulação de amizades, isolamento social. É uma das formas mais sofisticadas e mais dolorosas — e uma das mais subestimadas pelos adultos.

Cyberbullying. Humilhações por mensagem, exposição de fotos sem consentimento, perfis falsos criados para envergonhar, ataques em redes sociais. Tem uma característica particular: não termina quando o adolescente sai da escola. Ele chega em casa, no quarto, na hora de dormir.

O impacto na saúde mental

O bullying não é "coisa de criança" que se resolve sozinha com o tempo. Pesquisas mostram que a exposição prolongada está associada a consequências sérias na saúde mental — incluindo ansiedade, depressão, queda de autoestima, dificuldades escolares e, nos casos mais graves, ideação suicida (fonte: Instituto Alceu Giraldi).

A dor do bullying é real — e o impacto não desaparece com a saída da escola. Muitos adultos carregam por anos as marcas de experiências vividas na infância e adolescência que nunca receberam o cuidado adequado.

Sinais de que algo pode estar acontecendo

Como muitas crianças não contam, os pais precisam estar atentos a sinais indiretos:

  • Resistência crescente para ir à escola, sem justificativa clara

  • Mudanças repentinas de humor, especialmente após usar o celular

  • Pertences que somem ou chegam danificados sem explicação

  • Afastamento de amigos que antes eram próximos

  • Queda no rendimento escolar sem causa aparente

  • Queixas físicas frequentes — dor de cabeça, dor de barriga — especialmente nos dias de aula

  • Comentários sobre se sentir diferente, inútil ou não querer mais ir para algum lugar

O que os pais podem fazer

Criar um canal aberto antes que o problema aconteça. Conversar sobre relações sociais, sobre o que acontece na escola, sobre como a criança se sente no grupo — não apenas sobre notas — é o que torna possível que ela venha contar quando algo der errado.

Ouvir sem minimizar. "Isso é normal, todo mundo passa por isso" invalida o sofrimento. O primeiro passo é acolher — validar que o que aconteceu dói e que a criança não é culpada.

Não orientar a criança a resolver sozinha. "Bate de volta" ou "ignore" raramente funcionam — e podem piorar a situação. Bullying precisa de intervenção de adultos.

Acionar a escola. A escola tem responsabilidade legal e pedagógica de intervir. Documentar os episódios — datas, descrições, prints de mensagens — ajuda a embasar a conversa com a direção.

Buscar suporte profissional. Se os sinais de impacto emocional estão presentes, a avaliação psicológica é importante — tanto para processar o que aconteceu quanto para reconstruir a autoestima e as habilidades sociais afetadas.

E quando o filho é quem pratica?

Essa é uma conversa igualmente importante — e igualmente difícil.

Crianças e adolescentes que praticam bullying frequentemente estão expressando algo que também precisa de atenção: dificuldade de regulação emocional, busca por status, reprodução de dinâmicas vividas em casa ou resposta a experiências de humilhação próprias.

A resposta mais eficaz não é apenas punição — é entender o que está por trás do comportamento e oferecer o suporte adequado.


Se você suspeita que seu filho está sofrendo bullying ou passando por um momento difícil, não espere para buscar ajuda. O CVV oferece escuta gratuita e sigilosa pelo telefone 188, disponível 24 horas.

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